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Como ser feliz desde esta vida, segundo o Islam

No livro A Thinking Person’s Guide to Islam (Manual de Islam para Pessoas Inteligentes, na lista de livros a serem publicados pela Editora Bismillah), o autor Príncipe Ghazi bin Muhammad distingue algumas emoções que costumam ser confundidas com a felicidade, entre elas o divertimento, a alegria e o contentamento.

O divertimento/prazer (mut’a) é uma sensação passageira que os animais também têm e se origina dos sentidos físicos. É mencionado no Alcorão no seguinte contexto:

“… Já os que descreem se divertem e comem como o gado come…” (Muhammad, 47:12)

A alegria (farah) é citada de duas formas no Alcorão, uma positiva e a outra, negativa. A negativa é a alegria mundana:

“Eles se alegram com a vida terrena; porém, o que é a vida terrena, comparada com a outra, senão um breve prazer?” (Al-Ra’d, 13:26)

A alegria positiva consiste em se alegrar por motivos espirituais:

“Dize: que se alegrem na recompensa de Deus e em Sua misericórdia, pois isso é melhor do que o que entesouram.” (Yunus, 10:58)

Por fim, o contentamento (rida) segundo o Alcorão tem um significado próximo ao encontrado no dicionário Oxford, que o define como: “disposto a aceitar algo; satisfeito”. Pode ser negativo, no caso do contentamento com coisas mundanas (Yunus, 10:7 ), ou positivo, no caso do contentamento com aquilo que Deus dá:

“Se tivessem se contentado com o que Deus e Seu Mensageiro lhes deram e tivessem dito: ‘Deus é suficiente para nós’…” (Al-Tawbah, 9.59)

Mas o que é a felicidade, então, se não é prazer, alegria ou contentamento?

A felicidade (sa’adah) é citada apenas duas vezes no Alcorão. É apresentada como um estado permanente, não mutável, que descreve a vida no paraíso. As duas citações ocorrem nesta passagem:

“Virá um dia em que nenhuma alma falará, exceto pela permissão d’Ele. Entre eles haverá infelizes e felizes. Os infelizes estarão no fogo, suspirando e gemendo e ali permanecerão enquanto perdurarem os céus e a terra, a menos que teu Senhor o queira. Teu Senhor, em verdade, faz o que quer. Já os felizes estarão no paraíso enquanto perdurarem os céus e a terra, a menos que teu Senhor o queira — uma doação ininterrupta.” (Hud, 11:105-108)

Ou seja, a felicidade, segundo essa passagem, está associada a uma doação ininterrupta que vem de Deus para o ser humano. Em outra passagem do Alcorão, no entanto, está dito que cada alma receberá apenas aquilo que fez por merecer:

“Toda alma será compensada com aquilo que mereceu, e não será injustiçada.” (Al-Baqarah, 2:281)

Conclui-se daí que a alma feliz por receber ininterruptamente os bens de Deus no paraíso é a alma que deu ininterruptamente dos seus próprios bens durante esta vida, embora o que ela receba no paraíso tenha sido purificado por Deus. Portanto, a felicidade é um sentimento que será plenamente vivido no paraíso, mas que nesta terra é possível experimentar na mesma medida em que nos doamos aos outros, por meio das nossas boas ações para com todas as criaturas que nos rodeiam. Quando nos doamos, purificamos nosso ego das coisas mundanas e nos aproximamos mais de Deus, e assim somos mais felizes.

Em tese, isso não é tão difícil. Se olharmos à nossa volta, veremos que as oportunidades de ajudar os seres humanos, os animais e todas as criaturas está bem perto de nós. Agora, a medida da nossa felicidade vai depender de quanto iremos nos doar ao próximo. E para isso teremos, às vezes, de ir contra nossos prazeres corpóreos e nossas tendências egoístas. É exatamente a perseverança nesse esforço, que em árabe se chama al-jihad al-akbar, a “grande guerra santa”, que nos dá uma medida de felicidade já nesta vida e nos garantirá, pela misericórdia de Deus conosco, a felicidade ininterrupta na próxima vida.

“Não considere nenhum ato de caridade como trivial, nem mesmo encontrar o seu colega com um sorriso.” — Profeta Muhammad, que a paz esteja com ele (Muslim).

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